Deixe-me ir, preciso andar Vou por aí a procurar Rir pra não chorar Quero assistir ao Sol nascer Ver as águas dos rios correr Ouvir os pássaros cantar Eu quero nascer Quero viver Se alguém por mim perguntar Diga que eu só vou voltar Depois que me encontrar
(Candeia)
Faz dois anos que penso neste dia obsessivamente. Talvez tenha pensado neste dia minha vida toda. Porque na minha ingenuidade infantil "quando eu for mais velha" sempre foi este dia, 5 de junho de 2026, o dia que faço 40 anos. Engraçado pensar que quando eu tinha lá meus 12 anos, eu pensava muito no futuro, mas eu nunca imaginei que o futuro seria assim, como minha vida aconteceu. Talvez seja assim com todo mundo, a vida acontece cheia de surpresas.
A gente cresce achando que existe uma forma certa de organizar a vida, uma progressão linear. Faculdade, casamento, filhos, ajudar os filhos com suas próprias progressões lineares, cuidar dos pais idosos, se despedir dos pais, chegar você na velhice, com seus filhos e netos. O ciclo natural da vida, tudo seguindo um caminho pré-traçado. Eu chego aqui nos 40 com uma vida bem fora disso tudo, me sentindo tão menina, meio perdida, mas com uma sensação que existem todas as possibilidades do mundo pela frente.
Nunca imaginei que faria 40 anos assim, empacotando a vida, prestes a colocar tudo num container, atravessando um país que nem é meu, mas onde moro há mais de uma década, em busca de novas experiências. Meio sem raízes, meio solta no mundo. Quem me conheceu adolescente nunca teria imaginado, porque fui uma criança e adolescente tímida, bem comportada, responsável, nada aventureira. Nerd, CDF, religiosa. Aquela adolescente que os pais dos amigos confiavam, e se eu estivesse no grupo, eles permitiam o que quer que fosse, porque eu com certeza não me comportaria mal. Meio medrosa, controlava como me comportava, botava muito peso na opinião do outro.
E décadas depois, cá estou. Imigrante, vivendo em outra língua, órfã, sem filhos por escolha, meio nômade, desapegada, sem crenças formais, em uma carreira diferente do que estudei. Talvez aquém do meu potencial acadêmico, ou o que esperavam de mim. Acho que por um tempo eu entrei sim no caminho já traçado de vida e sucesso padrão: sai do interior de onde nasci e cresci para morar na cidade gigante e estudar na melhor universidade do país. A poucos anos talvez de me casar, ter filhos. Até que dois eventos me tiraram deste caminho, entre meus 22 e 23 anos: um drama de chorar por horas e um romance clássico de cinema. Me fizeram virar esquinas sem retorno. Sai de vez da progressão linear. Entrei em outra rota, que não estava no mapa, sem caminho pré-traçado.
Em 2008 eu estava no quarto ano de faculdade. A vida estava indo bem, eu cheia de sonhos, a vida se abrindo na minha frente, com tantas possibilidades. E minha mãe ficou doente, de repente. Ela começou a passar mal em Abril, e em Maio foi diagnosticada com um câncer já sem chances de cura. De um dia para o outro fomos completamente tomados pela notícia avassaladora que ela não estaria com a gente por muito tempo. Um pesadelo. Ela viveu 81 dias entre o diagnóstico e a partida. Hoje, quase 18 anos depois, existem tantas cenas daqueles dias que aparecem ainda de repente na minha memória, e são mesmo como um filme muito triste, envolto em desespero e desamparo.
Eu nunca fui a mesma. A morte da minha mãe foi a primeira grande tragédia que vivi por dentro, de dentro, e não consegui seguir do mesmo jeito. Me quebrou, e precisei reconstruir uma outra forma de viver. Deixei uma parte muito grande de mim ali com ela, com minhas certezas, minha fé, e uma completude que nunca mais senti. Passei meses sem conseguir ter agenda, sem organizar nada, sem conseguir dormir no silêncio. Comecei a carregar comigo mais medos, mais ansiedades, uma desconexão com os outros. Mas também uma percepção dos detalhes e beleza das coisas, do valor dos dias simples, que só quem perdeu a pessoa que mais amava no mundo pode entender. O medo e a beleza lado a lado, pela total consciência que a finitude está logo ali.
Poucos meses depois da morte da minha mãe, apareceu uma oportunidade de concorrer a um programa de bolsa de intercâmbio, o que sempre tinha sido meu sonho. Exatamente um ano depois da morte da minha mãe, agosto de 2009, sai pela primeira vez do Brasil, embarquei pra Holanda, para estudar um semestre da faculdade na Universidade de Leiden.
E ali virei outra esquina: desta vez cheia de sonhos, e aventuras. Em poucos meses o mundo se abriu de uma forma dramática e intensa, conheci gente de vários países. Entendi como existem tantas formas diferentes de existir no mundo, mas ao mesmo tempo, como é incrível encontrar pessoas parecidos com você que cresceram do outro lado do planeta. Me entendi mais como parte de um mundo tão maior! Me conectei com meu país de outra forma, porque nada te faz mais brasileira que morar fora. Você se reconhece muito mais na comparação com o outro, e na forma como os outros te veem. Aqueles seis meses foram os mais alegres e festeiros da minha vida. Deixei a menina cdf e responsável descansar, estudei pouco, saí quase todas as noites, socializei mais que em qualquer outro período da vida. Viajei pela Europa. Aquele semestre me salvou de várias formas.
E entrei num filme de romance. Um dos amigos que fiz era um americano porto riquenho, inteligente, e charmoso. Me mostrou tanto de arte e culturas. E nos apaixonamos. Daqueles romances mesmo de filme, que quase acabou em muitas lágrimas no aeroporto se despedindo do romance de intercâmbio. Mas levamos pra vida. Ele primeiro morou uns meses no Brasil, depois nos mudamos pros EUA, onde moro há 15 anos.
As rotas e mudanças tem um tanto de acaso, sorte e azar. Mas também escolhas conscientes. Minha escolha de transferir a vida para outro país foi meu maior ato de coragem até agora. Quando lembro dos medos que eu tinha com 18 anos ao sair do interior e ir pra São Paulo, percebo que aos poucos fui me aventurando, indo mais longe, sempre ainda com muito medo e cautela. Mas indo.
Eu já estava nos EUA por um ano quando meu pai também ficou doente, também com câncer, também já sem chances de cura. E continuei meu processo de luto que começou com o trauma da morte da minha mãe, e continuou agora com a morte do meu pai, como se eu tivesse seis anos depois só vivendo a continuação da mesma história. Mas desta vez eu já estava calejada, já com feridas abertas. Eu já sabia sofrer daquela forma. Eu já sabia que sobrevivia.
A morte do meu pai acabou de levar o que eu tinha de casa, literalmente. Desfiz de tudo da nossa casa, casa construída por eles. Cada canto pensado, planejado, orçado, para ser espaço de uma vida segura e feliz. Com meu pai foi embora minha ultima fonte de amor incondicional.
Com 27 anos eu já não tinha meus pais. E tem muitas solidões nesta realidade. A solidão de não ter pra onde ir. A solidão de não ter mais quem eu era com eles. De não ter o olhar que eles tinham pra mim, com muito orgulho e admiração. Também a solidão de não conhecer ninguém que tenha chegado aos 27 sem os pais, com exceção do meu irmão, que divide esses lutos comigo, e se tornou meu porto seguro. Não estou dizendo que é a pior coisa que alguém possa passar, não é. Mas ter que cuidar dos pais no final da vida, enterrá-los, fechar a casa, não é coisa que a gente espera viver nos 20 anos. Era pra ser muito e muito depois, quando eu já estivesse muito mais velha. A vida quebrou um acordo que eu achei que existia de que as coisas seguiam uma ordem. Hoje com 40 anos já não tenho meus pais vivos há mais de uma década, e ainda sinto muito ter essa vida sem colo. Esses lutos são partes estruturais de quem eu sou, pois com eles precisei me reconstruir.
Para além de viver a vida sem eles, eu também sinto muito pela vida que eles não tiveram. Meus pais nasceram, viveram, e morreram num raio de poucos quilômetros de distância. Meu pai fez faculdade, casou, construiu casa, trabalhou muito (manhã, tarde e noite por muitos anos), viajou pouco (embora adorasse!), morreu poucos anos depois de se aposentar. Minha mãe não teve nenhuma chance na vida de estudar, perdeu a mãe ainda criança, trabalhou em casa de família pré adolescente, casou, construiu casa, cuidou dos filhos, cozinha e limpava a casa todo dia, conheceu pouquíssimos lugares, morreu com 46 anos.
Eu acredito que meus pais foram de certa forma felizes. Eles tinham uma comunidade, a família presente, amavam a família. Mas percebo que as perdas e mudanças me levaram a evitar repetir a vida deles, e a procurar viver tudo que eles não viveram. Fui criar uma vida tão longe de onde nasci, já conheci tantos outros países, já me mudei para diferentes estados dentro dos EUA. Não consigo ficar no mesmo lugar mais que alguns poucos anos.
Para além dos meus pais, vivo uma vida muito diferente de todas as mulheres que vieram antes de mim, algo que é bem comum na minha geração, ainda bem. Minha bisavó Rosa teve mais de 10 filhos. Minhas avós e mãe cresceram, nasceram, e morreram na mesma região, do nascimento a morte não tinha mais de 100 km. Todas boas cozinheiras, casas limpíssimas, cuidadoras. Cuidaram dos filhos tão bem. Também cuidaram dos irmãos, e sobrinhos, e largavam tudo para resolver problemas para os outros. Faziam tudo para os maridos. Nenhuma se divorciou. Minha avó materna morreu antes dos 40. Minha mãe, nos 40. Eu venho de uma linhagem materna de mulheres que morreram antes dos 50, e viveram para os outros. Viveram pouco.
Não estou aqui dizendo que uma vida é pior ou melhor que a outra, ou que sou mais feliz que elas foram. Talvez até exista mais sentido em viver em famílias maiores, em se doar, da forma que fizeram. Difícil dizer. Mas tenho o super privilégio de poder perguntar e responder: o que eu quero da minha vida? Escolhi seguir o oposto de todas elas. Viver mais e para mim. Estudei, tive acesso a universidades importantes, trabalho, não tive filhos por escolha, emigrei, moro há milhares de quilômetros de onde nasci. Eu brinco de lego, e colorir, e coleciono pelúcias. Tenho tempo de ler, ir à academia, dormir até tarde. Tempo de parar, refletir e escrever, meu hobby favorito. Já conheci mais de 15 países. Já morei em 3 países. Já morei em São Paulo, Nova York, Boston, zona rural de Connecticut, uma cidadezinha na Holanda, no Texas. Estou aqui a poucos dias de me mudar para a Califórnia. Cozinho mal pra caramba (não tenho orgulho disso!). Meu marido lava a própria roupa, organiza o que comprar no supermercado, e pilota a cozinha. Com relação a longevidade, não há muito que eu possa fazer, isso fica mais a cargo da sorte e azar. Mas faço o que está ao meu alcance pela saúde e segurança.
Escolhas. Versões de vida. Caminhos que são fechados quando a gente decide virar uma esquina. A gente nunca vai saber o que seria atrás de outras esquinas. Todas as nossas possíveis versões tem partes tristes e felizes, mas às vezes caímos numa armadilha de pensar que uma outra versão nossa seria mais feliz. Como seria minha vida se eu nunca tivesse saído do Brasil? Se minha mãe fosse viva? Se eu tivesse estudado outro curso? Se eu tivesse escolhido ter filhos? Contrafactual. Nunca saberemos.
Eu venho aprendendo que é uma tarefa essencial, com a passagem do tempo, que a gente faça as pazes entre o idealizado e o vivido, com tudo o que você não se tornou, e com todas as portas do passado que você fechou, ou que fecharam para você. É muito fácil olhar para trás e identificar com facilidade que caminhos tortos foram tomados quando não devíamos. Ou pensar que uma outra versão da vida seria muito melhor. Mas a nossa visão de hoje é tão mais potente! Nos perdoar faz parte desta caminhada, assim como sentir falta do que não aconteceu é normal, e aceitar que todas as escolhas fecharam outros caminhos, e que sempre há renúncias.
Também aceitar que coisas acontecem com a gente, fora do nosso controle. A vida adulta até aqui foi muito confusa. Passei meus 20s lidando com lutos e sobrevivendo. Nos 30s, me recompondo, aprendendo mais a ser eu no mundo, o que eu gosto, o que quero ser, não com a régua dos outros, mas com a minha. Uma década cheia de decisões, instabilidade, aprendizados. Teve a pandemia no meio. Estou sempre me perguntando o que quero, como quero a vida. Retraçando a rota quando necessário. Entendo que existem tantas formas de retorno e re-traçar rotas. Tenho uma vida sem muitas amarras que dificultariam não mudar se não estivesse bem. Parece que posso escolher qualquer caminho ou lugar, a qualquer momento. E tem dias que isso me traz muita satisfação! E tem dias que isso me enlouquece. Muita liberdade pode ser cansativo. Seguir o caminho traçado faz parecer que é o caminho certo. Seguir caminho não traçado faz você parar de tempos em tempos e se perguntar se está perdido.
Tenho aprendido que não estou perdida, porque este conceito não existe. Não existe caminho, quem o cria é você. Estou experienciando a vida, com suas paletas, tons, e emoções. Sinto que aqui nos 40 existe uma leveza na certeza que, embora seja importante sustentar nossas escolhas, a gente sobrevive às consequências e aos acasos, a gente tem segundas e terceiras chances, retraçar a rota é sempre uma vitória, e quase nada é definitivo. Acredito que ainda terei outras diferentes versões, em diferentes cenários. Mas é sim impossível viver todas as vidas possíveis. Então precisamos escolher.
Eu nunca vou saber o que é ter pais velhinhos. Não vou saber como é gerar uma vida. Nem como é ser boa cozinheira. Assim como outras pessoas não vão saber como é morar em outro país, ou ter 13 graus de miopia, ou ter 40 anos sem ser mãe e sem ter mãe. Existe espaço para várias formas de experienciar ser gente, e estar no mundo. Ainda bem.
Talvez uma das decisões mais importantes na minha vida tenha sido a de não ter filhos. Uma decisão muito pensada, mas também difícil, porque vai contra o biológico e o cultural. Nossa sociedade se organiza em famílias, e ter filhos, criar novos humanos, é uma parte tão importante da vida. Eu esperei chegar o momento em que me desse vontade de ser mãe, mas embora eu adore crianças, brincar, ver como elas descobrem o mundo, a vontade não veio. Entre os 35 e 37 parei mesmo para pensar, por estar chegando no limite biológico. Eu consigo listar 50 razões pelas quais decidi não ter filhos, algumas mais bobas, e outras mais importantes. Mas consigo também ver que uma versão alternativa da minha vida se sentiria muito mais confortável para ter filhos. Mas esta minha versão, sem mãe, imigrante, cheia de preocupações e alguns traumas, não conseguiu. E isso vem de um lugar de respeito gigantesco com a maternidade. Acho tão intenso, que não acredito que daria conta. Talvez no fim não fui mãe por muitos e muitos medos.
Sei que é comum perguntarem: “e se você se arrepender”? Posso dizer com 100% de certeza: irei me arrepender, lá pelos menos 60 e poucos. Mas lá, se eu chegar, eu lido com essa escolha da maneira que for. Talvez a idade biológica não bateu com a idade de me sentir preparada e bem pra ser mãe. Talvez a vontade venha nos 50, quando for tarde para ser mãe biológica, mas possível de outras formas. Talvez porque precisei lidar com tanto nos 20, ou por ter mudado de país e recomeçado algumas vezes, me sinto muito jovem para ser mãe. Com 40 anos, vai entender! Perdi o sinal do tempo.
Este é um outro ponto engraçado. Nunca imaginei que chegar aos 40 seria sentido como tão jovem. Sei que não sou a única, é coisa da nossa geração millenium. Por mais que eu seja uma adulta, com trabalho, profissional, responsável, pague minhas contas, dou conta do mundo, tenho minha própria casa, ainda me sinto uma menina, perdida no shopping, com um medo danado de estranhos, e procurando desesperadamente pela minha mãe. Mesmo que eu tenha vivido tantos momentos de coragens intensas, onde mergulhei em dores emocionais de cabeça ou me joguei pro mundo, morando tão longe de casa. Ainda uma menina.
E esta é a minha maior confusão com essa idade: o tempo! Ontem eu estava lá com 17 anos em Cruzeiro, pisquei, e cá estou com 40. Aconteceram muitas vidas nestes anos todos, mas ao mesmo tempo parece que passou mais rápido que dei conta de entender. Estou abismada e admirada, tentando entender a passagem do tempo. Estaria mentindo se dissesse que não me incomoda o passar do tempo. Se olhar no espelho, ver mais rugas, cabelos brancos. Esta sensação que os últimos 20 anos passaram muito mais rápido que dei conta de aproveitar. Chegar aos 40 tem sim um peso simbólico.
E existe também um jogo grande com as perdas. Colágeno, energia, oportunidades, pessoas. Os anos no futuro diminuem a cada dia. Parece que nossa vez passa pra dar caminho pra quem vêm. Existem também muitos ganhos, sendo a experiência a maior delas. Ver com mais claridade a vida acontecendo. Tantas rotas no passado, fica mais fácil identificar quais caminhos seguir.
Espero que nos 40 eu encontre mais da minha versão corajosa, sem medo de desagradar, sem medo do ridículo, que vive mais no mundo do que na minha cabeça. Que sente mais do que pensa. Que aceita sentir mais raiva e alegria, sem culpa. Que tem o trabalho como uma pequena parte da vida, e que não seja tão dura consigo mesma. Que briga mais com sua tendência de viver na rotina e conforto, e troque isso pela vontade avassaladora de viver. Intensamente, mesmo nos segundos mais simples e banais. Por mim, por meus pais, e por todos que vieram antes de mim. Essa linha acaba em mim, preciso viver por todos.
Desejo isso a todos os mesmos amigos e familiares, em qualquer idade, 20, 40, 60, 90. Seja numa vida mais linear ou bagunçada. Abrir espaço para o novo sempre. Novos hobbies, novos aprendizados. Novas formas de rotina e ser no mundo. Lugares novos. Pessoas novas. Independente de suas escolhas e rotas, abrir espaço e ir atrás de experiências com intenção. A vida passa mas continua crescendo e se expandindo. Lute veementemente contra a ideia que o melhor da vida já passou. Os bons tempos são sempre agora. E ainda há muitas outras esquinas aí pela frente. Não tenha medo de errar.
You, music of my late years, I am called By a sound and a color which are more and more perfect. Do not die out, fire. Enter my dreams, love. Be young forever, seasons of the earth.
(Czaslaw Milosz)








